Meryl Streep e a beleza: uma de nossas atrizes preferidas conta como rejeitou – e rejeita – o papel de diva

O pessoal do canal Blank on Blank, do YouTube, transformou uma entrevista sensacional de Meryl Streep em vídeo/ Foto: Reprodução YouTube

Foi em 2008, mas na última terça-feira (24) a internet recuperou uma das entrevistas mais interessantes feitas com Meryl Streep — trabalho da jornalista Christine Spines para a Entertainment Weekly. Os melhores trechos se transformaram em um vídeo animado feito pelo canal do YouTube Blank on Blank. É assistir e se apaixonar um tiquinho mais pela atriz de ideias tão diversas daquelas geralmente associadas a Hollywood.

Entre muitos suspiros, Meryl fala pouco sobre seu ofício — “é muito humilhante imaginar a vida verdadeira de outra pessoa e sua dor… é a minha droga” — e bastante sobre a pressão para ser bonita na indústria do cinema, um problema que ela penou para resolver. “A única coisa que foi implacável pra mim é como você se apresenta em público. Não conseguia sossegar com isso, me levou à loucura”.

Tudo começa quando ela relembra o hábito deselegante do entendido de celebridades Earl Blackwell, que adorava criticar seu guarda-roupa. “Você não deve falar mal dos mortos, mas Earl Blackwell finalmente morreu, e eu estive em sua listinha das mais mal-vestidas todos os anos“, diz a atriz.

A jornalista então questiona: “Mas você escolheu uma carreira que é totalmente preocupada com essas coisas”. Ao que Meryl responde: “Não foi a carreira que escolhi. A carreira que escolhi foi uma especialização em Drama na faculdade, em Yale, quando interpretei uma mulher de 90 anos, um de meus papéis mais celebrados. Fiz uma pessoa muito gorda, fiz um monte de coisas diferentes. Nunca pensei que estaria na capa das revistas, usando coisas da moda. Não sou eu. Mas é isso que o estrelato no cinema implica”.

meryl streep velhinha

Ser boa atriz não é o bastante em Hollywood?/ Foto: Reprodução YouTube

Meryl relembra também que já foi chamada de horrorosa num teste. Mas ela deu a volta por cima com elegância. Era o teste de “King Kong”, com o produtor italiano Dino De Laurentiis, famoso por filmes de ficção científica e horror realizados ao longo de sete décadas.

“Dino De Laurentiis estava sentado lá, conhecendo todas aquelas garotas, e eu realmente tentei parecer bonita. Seu filho estava na sala, e Dino falou com ele em italiano. Eu sei italiano, eu estudei. Ele disse ‘por que você me mandou essa leitoa? Ela é tão brutta [ruim]‘. Olhei pra ele e disse ‘mi dispiace molto, ma’

. Ele estava tão acostumado a tratar garotas como meninas com a cabeça vazia. Claro que ele nunca imaginou que uma pessoa loura pudesse falar italiano”.

Os julgamentos de todos os lados não devem ser piores do que o artigo de uma revista de 67. Ainda bem que mudou!/ Foto: Reprodução YouTube

Os julgamentos de todos os lados não devem ser piores do que o artigo de uma revista de 67. Ainda bem que mudou!/ Foto: Reprodução YouTube

Na parte final da entrevista, Meryl compara o passado com o presente e mostra como se tornou mais fácil ser mulher hoje (embora ainda existam muitas dificuldades). Suas filhas, inclusive, ficaram chocadas com o sexismo que existia quando viram uma revista de 1967 encontrada pela mamãe cheia de Oscars.

“Encontrei meu kit de tricô na semana passada. Havia um suéter na metade feito para um namorado, há muito tempo, e o guia para tricotar estava numa revista, na Women’s Day Magazine, de 1967. Olhei e não consegui acreditar. Havia um anúncio enorme que dizia ‘escolha a única profissão onde você pode ganhar tanto quanto um homem. Seja uma contadora’. Sim. Tinha uma coluna ‘o que os homens dizem sobre as mulheres’ onde estava escrito que a pior coisa que um homem pode fazer por uma mulher é deixá-la chegar ao topo. Era um mundo muito diferente. É difícil explicar isso às pessoas”.

Ative as legendas (em inglês) e se prepare para adorar um pouquinho mais Meryl Streep:

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