Godzilla impõe seu respeito

Godzilla é bem mais que um réptil gigante. Para os japoneses que o criaram na década de 50, com o nome de Gojira, ele era uma metáfora do perigo nuclear que vitimou duas cidades no país. Claro que com o tempo ele passou a ter outros significados para muito mais gente, incluindo aí quem simplesmente adora a ideia de um monstro destruindo tudo que encontra pela frente ou quem gostaria de ter um bichão desse como um legítimo super-herói protetor da humanidade.

Godzilla impõe seu respeito

Ao longo dos anos, dezenas de animações, filmes, séries de TV, quadrinhos e videogames, que empregaram desde atores em roupas de látex até programadores de efeitos especiais, fizeram com que o personagem chegasse até aqui com a força para estrelar o milionário filme dirigido por Gareth Edwards e estrelado por atores como Bryan Cranston, Juliette Binoche, Ken Watanabe e Aaron Taylor-Johnson.

Essa bomba não é o filme de Emmerich, fique tranquilo

A boa notícia é que o filme é bem melhor que aquele que Roland Emmerich fez em 1998, o que não chega a ser um grande feito. Afinal, a primeira superprodução americana foi tão criticada que a Toho, proprietária do personagem, rebatizou a criatura como Zilla. Tá certa a Toho: o bicho de Emmerich era uma senhora grávida e não o velho Godzilla. Desta vez há muito mais respeito e até homenagem ao passado do lagartão marinho. Na história original, os testes atômicos no Pacífico despertaram o animal, enquanto neste aqui, as bombas foram usadas para atacar o bicho, que vinha sendo mantido em segredo pelas autoridades desde aquela época. Tudo a ver com as teorias da conspiração e o controle da mídia que nos assombram hoje.

A trama que cerca “Godzilla” é bem arquitetada e é apresentada aos poucos. O que pode parecer confuso no início vai sendo bem solucionado com a apresentação de novas informações. Logo vemos algo mais importante que a origem da criatura: o seu propósito, com uma boa mensagem ecológica e convenientes espetadas nas pretensões humanas e tal. Não dá para falar muito sobre essa parte do filme, para não rolar spoiler. Mas é ótima a ideia de fazer deste Godzilla algo bem mais que uma máquina de destruição contra a humanidade, como já foi feito em outras versões.

O lado negativo é a subtrama, ou trama principal, sei lá (porque é a que parece tomar mais tempo de tela, infelizmente). Bem na escola americana dos blockbusters, acompanhamos os dramas humanos que cercam a aparição de Godzilla, com destaque para tragédias familiares. Essa parte é um pouco chata e arrastada, além de contar com um grande problema: os protagonistas ou coadjuvantes dessa abordagem vão mudando e não dá tempo de se afeiçoar a eles. Em “Guerra dos Mundos”, acompanhávamos o personagem de Tom Cruise e sua família o tempo todo, assim como em “Sinais”, de M. Night Shyamalan. Nesse “Godzilla”, começamos a gostar de um personagem e ele vai embora. Depois achamos, por exemplo, que o drama humano será o militar tomando conta de um garoto e logo vemos que não é nada disso. Não há uma continuidade que nos faça criar vínculos com os personagens.

Outro fator que pode incomodar algumas pessoas é a quantidade não tão grande de imagens do gigante. Muita gente estará indo ao cinema para ver o monstro em seu esplendor, mas não é a todo momento que ele se mostra. A experiência que o diretor propõe é quase a de um voyeur que espia tudo como dá, entre frestas e buracos de fechadura. Não tanto como “Cloverfield”, mas com menos visão do que muitos devem estar esperando. Isso não chega a ser um problema, é uma escolha. Mas vale o aviso. Aliás, cabe mais uma advertência: o 3D é dispensável e até dificulta a total apreciação do filme, que tem grande parte das cenas do monstro em ambiente sem muita luz. Ou seja, fica bem escuro. Prefira o 2D.

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