Filme Jurassic World – Reino Ameaçado é Bom?

Acho que já usei essa metáfora antes, mas sabe quando tem um mágico na festinha e já conhece  todos os truques dele, mesmo não sabendo COMO ele vai colocar a moeda atrás da sua orelha, mas ele VAI colocar? Esse é bem o caso, e até a repetição da figura de linguagem configura o visto em Jurassic World – Reino Ameaçado.

O segundo filme da nova trilogia chega repetindo as mesmas estratégias do anterior (Jurassic World de 2015) e do seu irmão de colocação (O Mundo Perdido, 1997) e tá tudo lá: os dinossauros, as tramas, as reviravoltas. Tudo mais do mesmo.

E esse é o grande problema: mesmo com as regras estabelecidas nos quatro anteriores, o filme parece preocupar-se em garantir A cena de dinossauro, mas todas bem semelhantes com o que já vimos, ocasionando assim uma pálida e previsível visão, onde se tem uma lua no céu bem enquadrada haverá um “(coloque o nome do seu dino preferido) sauro” berrando para o alto. Tanto que o personagem de Justice Smith (da finada série da Netflix, The Get Down) representa o espectador quando repetidamente pergunta pelo momento em que o T-Rex vai aparecer. E é claro que aparece, num momento em que chamar a atenção é muito mais importante que seu instinto de sobrevivência.

Nos personagens, Chris Pratt (Vingadores: Guerra Infinita) e Bryce Dallas Howard (Black Mirror) estão confortáveis nos seus papéis; aliás o desempenho de Pratt – que não é grandioso, mas convincente – é o que complica a vida de Smith: enquanto o protagonista de Guardiões da Galáxia Vol. 2 tem total controle do timming cômico, Smith sofre do mesmo problema de Kat Dennings com sua Darcy em Thor (2011), mas com o diferencial de não se tornar irritante, apenas insosso.

A estrutura do filme baseia-se em dois momentos, ambos funcionando tranquilamente como causa e consequência; embora a segunda metade seja um pouco arrastada, mas nada que afete algo que já vem sem grandes novidades.

Existem elementos no filme de J.A. Bayona  (O Impossível, O Orfanato, Sete Minutos depois da Meia-Noite) que são pertinentes, como a discussão que tenta levantar através do prelúdio e posfácio do personagem de Jeff Goldblum sobre o uso da ciência pelos seres humanos e passível de um paralelo com a energia nuclear – que o próprio nos rouba desse exercício no seu texto.

Enquanto outra franquia retornada, Star Wars, mesmo com um sub-pastiche ainda coloca elementos interessantes na sua jornada, Jurassic requenta seus elementos visuais sem grande impacto – principalmente no 3D. O mais impactante no filme é o seu desfecho, acarretando em um massivo – e interessante – descontrole cujo modo que os roteiristas resolverão no próximo filme será deveras intrigante.

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