Filme Pequeno Demônio é Bom?

Pense n’O Pestinha(1990) e misture com O Exorcista (1973): você tem uma prova do que vai encontrar em Pequeno Demônio, novo filme da Netflix. Se com esse pitch você comprou a ideia, pode ir sem medo que é nada mais que uma comedia despretensiosa de Eli Craig, diretor do inventivo Tucker e Dale contra o Mal (2010). 

Na trama Gary (Adam Scott, de Big Little Lies) é o mais novo esposo de Samantha (Evangeline Lilly, de O Hobbit), uma adorável mulher com um filho que literalmente é o anticristo. Gary tem q resolver a sua convivência com a criança infernal afim de ter uma próspera – e viva – vida.

O filme descaradamente utiliza de referências de filmes clássicos muitas vezes com uma visão metalinguística, e com o devido destaque a produções de horror que trabalham com crianças no âmbito sobrenatural, como O Iluminado (1980), Poltergeist (1982), Colheita Maldita (1984), entre outros. O figurino também não se furta a vestir o garoto como tal qual Damian em A Profecia (1976), o que foge àquela realidade, soando caricatural e uma versão miniatura do Angus Young.

Lilly parece divertir-se ao fazer a mãe “desatenta” com as manifestações anormais do filho, o que é engraçado: em certo momento ela olha para uma inscrição no teto do quarto do e ao estranhar como um garoto de seis anos fez aquilo no teto, ela solta um “que criativo!”. Urge dizer que em nenhum momento há estupidez nas ações de Samantha, mas uma suspensão de descrença desvairada crível naquele núcleo familiar, combinando com o que foi dito anteriormente sobre o figurino do garoto.

Entre os coadjuvantes, destaca-se Al (Bridget Everett), que em nenhum momento sua sexualidade – ou comportamento – é questionado, mas o texto faz com que o motor das piadas seja criado na cabeça do espectador.

Em resumo, uma comédia que tem aquela lembrança de filmes dos anos 90. Se tiver algo do Adam Sandler ao lado na lista de escolhas da Netflix, não é uma má opção.